Reator por Gustavo Saul

Reator: o choque necessário causado por um teatro de opinião da melhor qualidade

14 de abril de 1865: um dia que entrou para a história dos Estados Unidos. Munido de uma pistola calibre 44, John Wilkes Booth adentra no Teatro Ford e invade o camarote aonde se encontrava o presidente Abraham Lincoln. Determinado, acerta um único tiro em sua cabeça. Após o ato, salta no palco e grita a célebre expressão: “Sic semper tyrannis!” (latim de “Isso sempre acontece com os tiranos). Apesar de ter quebrado a perna, ele consegue escapar no momento, sendo encurralado, baleado e morto 12 dias após.
Ao entrar no Teatro Bruno Kiefer, para assistir a peça Reator, e tendo lido a sinopse do que se tratava, talvez o público sinta inicialmente a sensação de estar assistindo ao espetáculo errado. Com uma trilha que embala, em clima de “Fui numa festa cheia de cuba libre” e um senhor vestindo traje elegante recepcionando os convidados, tudo indicava que as próximas horas seriam repletas de música e interatividade. Entretanto, percebe-se que o câmera que estava filmando o evento trajava um uniforme da Ku Klux Klan. Alguma coisa estava fora do contexto. Ou não.
Eu confesso, e aqui assumo a minha ignorância, que só conhecia Walney Costa de nome, pelos ótimos comentários acerca de sua carreira. E a única coisa que posso dizer é como me arrependo de não ter assistido nenhum espetáculo desse fabuloso artista anteriormente. Escrita, dirigida e atuada por ele, a peça traça um painel associando o assassinato de Lincoln por John Wilkes Booth com diversas situações onde impera a supremacia capitalista, o massacre de animais, as guerras bestiais, as promessas não cumpridas e a total demagogia na política.
Walney é soberano e virtuoso do início ao fim. Vai da sutileza e do sarcasmo ao ápice com uma organicidade ferrenha absurda. Nada é gratuito, nada é desperdiçado, TUDO se associa. A trilha sonora (de sua autoria), ora enaltece o texto, ora surge como contraponto. E com isso ele clareia a mente do espectador, como um “starte”, uma epifania, em um meio rodeado de “facebook” e twitter”, aonde brotam informações desnecessárias e vazias, aonde nos esquecemos muitas vezes que sim, o ser humano é malévolo por natureza, sim, a política definitivamente não presta, sim, somos eternos escravos do sistema.

Surge o desconforto latente. Mas necessário. Aos meus colegas, amigos e jovens atores, se me permitirem, lhes faço uma recomendação: não percam por nada essa peça quando reestrear.


por Gustavo Saul

sábado, 27 de agosto de 2011 Leave a comment

Reator por Júlio Conte

sábado, 13 de agosto de 2011

- Sic semper tyrannis!
Tem gente que não conhece o Walney Costa. Não sabe que ele é um ator experiente, premiado, versátil e com uma longa trajetória. Tem gente que não sabe que ele trabalhou no Teatro Oficina sob a direção do mito Zé Correa Martinez durante anos e que cruzou o Brasil e o mundo com o grupo. Tem gente que não sabe que ele foi integrante do grupo Cemitério de Automóveis e foi dirigido pelo não menos mítico Mario Bortolotto. Este pequeno currículo provavelmente é ignorado por boa parte dos frequentadores de teatro do sul do Brasil. Do mesmo modo, não tem noção que Walney Costa é gaúcho da mesma cidade de Qorpo Santo, Triunfo, do qual provavelmente herdou tanto a loucura quanto a genialidade. Também ninguém é obrigado a saber. Walney saiu de Porto Alegre muito cedo, logo depois interpretar o personagem Marat sob a direção de Nestor Monasterio e Juan Sosa. Estou falando isso porque ele está de volta a cidade. E com uma peça em cartaz. Reator, texto e direção e intepretação. E como quase ninguém conhece o currículo do ator, pode pensar que ele está se superestimando no monólogo que escreveu e dirigiu e interpretou. Mas basta alguns minutos com o julgamento suspenso e nos deixarmos levar pelos ventos do teatro que encontramos o Walney Costa num momento especial. Solto divertido, dramático. A encenação desafiadora. Narrativa circular, espiralando para todos os lados poemas jogos de palavras, ai-kais, trocadilhos e pegadinhas verbais de que recriam a narrativa. Musica, vídeos, textos e drama. Acima de tudo poesia. Cênica, verbal e corporal. Jogo sucessivos que produzem desconcerto e esclarecimento, fazendo brotar a cada instante um sorriso na face do espectador. Com uma pitada de ironia é claro. A narrativa é divertida, múltipla, plural. Misto de aula, ensaio e sarau Walney se revela em um dos melhores momentos da sua carreira. Ele é o padre, o rabino e o guru. O astrólogo e o sexólogo, tudo junto, Tirésias, vendo aqui que não se vê. Aquilo que tem dentro da pedra. Engajado nas tendências fragmentarias do teatro e multimidiática, temos as imagens espelhadas por um cameramen que repica as imagens ao vivo. Dois músicos trilha, som e musica. Um festival de sentimentos a nossa disposição. As vezes o ritmo e a voz grave ao cantar suspende o arrebatamento, mas imagino que tenha sido proposital. A encenação além de ser show de interpretação conta uma história excelente. O assassinato de Abrahan Lincoln pelo ator John Wilkes Booth. A trama, no modo contado por Walney é parcial a favor do ator que havia interpretado Brutus. O mix entre a vida e a arte se realiza quando depois de matar Lincoln, Booth pula do camarote, fratura a perna e se arrasta até o palco e, em meio da imensa confusão que se imagina estar acontecendo, diz:
- Sic semper tyrannis!
Não percam a chance de conhecer Walney Costa.

por Júlio Conte

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Crítico Crime


resposta de direito à crítica contida no blog:


O escritor do texto "O Crime no Teatro" , sobre REATOR se arvora ser mais do q um juiz inquisidor, o rapaz também acredita ser o supra sumo meritíssimo do ministério da economia do tribunal d contas e tabelamento d preços da democracia capital dos governos do establishment,  talvez um fiscal do imposto sobre os preços, um inspetor geral ...

Pois, enquanto nós visamos oferecer nosso trabalho por um preço bastante acessível ao público, na temporada popular  apresentada no Teatro Bruno Kiefer, o autor do texto sobre REATOR afirma q os cinco (5) reais cobrados naquela ocasião foram “uma verdadeira fortuna” e desaconselhou assim o consumidor d produtos artístico-culturais, educativos ou do entretenimento, a pagar o mínimo dos mínimos do preço d um ingresso no mercado , sem vislumbrar  alguma remota possibilidade do gênero teatral (q ele não consegue catalogar, nem enquadrar nas suas fórmulas do q é bom ou ruim dentro da “linguagem” cênica q chega alcançar) ser adequado  a algum público específico q possa haver no mundo ou aqui  em Porto Alegre  ...

A peça tem riquíssimo conteúdo, canções, episódios, prosa e poesia, tem câmera-man ao vivo, projetista d imagens, operador d som, operador d luz, dois músicos ao vivo, microfones, vídeos gravados, luz, figurinos criativos e simples, tudo dentro d um teatro confortável, num deslumbrante centro cultural.

Reator é uma peça d teatro q apresenta um ator, diretor e autor, com mais d trinta anos d experiência, num ato d expressão cênica sobre outro ator e os papeis q representamos nos palcos e na vida. O verdadeiro tema do ato é a independência da alma ! A vontade d poder do artista enquanto tal ! As forças vivas da coisa q chamamos poesia!

O leitor q não sabia sobre o q trata e versa a peça REATOR, jamais vai ficar sabendo após ler a matéria degradante deste cidadão q escreveu e disse q na peça REATOR, sobre o poder do ator, não existe quase nada q possa lembrar teatro. Isso é uma afronta, um desrespeito? Um dano moral-material? O q é isso?

Mesmo q esse moço q escreveu o texto sobre REATOR acredite representar o papel de um crítico teatral, nunca teria o direito d ser o avalista do preço d uma obra, seja a nossa ou a d quem quer q fosse!

Um escritor ou um estudante d letras q acredita estar um crítico d teatro ( como se essa função social o tornasse alguém superior a arte viva e intocável ) e q com sua crença em si, cega, pensa q pode extrapolar  a este ponto d avacalhação vexatória d um  artista e seu grupo, não esta suficientemente preparado para poder ser formador d opinião  e  é evidentemente um projeto d autoritarismo, um candidato a alguma vaga d censor no futuro do seu presente precário , e dessa forma, comicamente, merece estar d acordo com os valores estéticos, históricos, políticos e filosóficos q proferiu quando diz acreditar q sabe tudo sobre a implantação da democracia americana, sobre a guerra de secessão, o fim da escravidão e a própria ação fulgurante e trágica d John Wilkes  Booth, por ter, o senhor escritor crítico , assistido “ E o Vento Levou” , conforme afirma, é incrível e patético !

E posteriormente se confunde ao pretender informar seus leitores sobre o algum “equívoco” da dramaturgia em REATOR, ao citar pobres dados estatísticos d telejornais oficiais sobre percentuais d aprovação do governo  tri pacífico d Obama  ...

Ah! Pra não me estender muito mais, só vou lembrar d apenas uma coisa entre outras q poderia trazer a tona nesta resposta curta dirigida  aos q acreditaram nas palavras  do criticador:  não foram sete (7) estados do sul q guerrearam contra os demais, foram 11 ( onze)!!


E aproveito pra convidar os leitores e o próprio autor do para-simpático blog, mencionado no primeiro parágrafo, para irem ao teatro neste 11 d setembro d 2011 quando vamos refletir  REATOR no Teatro Carlos Carvalho na Casa d Cultura Mario Quintana, as nove (9) da noite ... volte lá ... vamos contar essas voltas !

E por falar em Mario Quintana, poeta maior q habita nossos corações e a alma do Hotel Majestic, hoje Casa d Cultura ( CCMQ ), o neófito crítico teve a pachorra d ( na casa do poeta) desqualificar os saraus d poesia, o q d fato constituiu o maior ultraje a poesia q já vi, com todo rigor!


por Walney Costa




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